A Crise Cristã

Leitura de Domingo, 13 Agosto 2017
John Main, OSB

extraído de John Main OSB, THE PRESENT CHRIST (New York: Crossroad, 1991), pgs. 74-76.

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[P]ara que nos espitualizemos, precisamos aprender a deixar para trás nossa própria identidade religiosa oficial, ou seja, deixar para trás o fariseu que se esconde em todos nós, porque, como Jesus nos disse, temos que deixar para trás toda a nossa identidade. Para que possamos nos tornar um com nós mesmos, com Deus, com nossos irmãos, precisamos renunciar e transcender a todas as imagens de nós mesmos, todas elas originadas da mente febril do ego, para que nos tornemos verdadeiramente humanos, verdadeiramente reais, verdadeiramente humildes.
Nossas imagens de Deus, da mesma forma, deverão cair. Nós não devemos ser idólatras. Curiosamente, o que descobrimos é que elas caem, à medida que caem as imagens de nossa identidade, o que sugere aquilo que nós já pressentíamos, que nossas imagens de Deus são na verdade imagens de nós mesmos. Neste maravilhoso processo de entrada para a plena luz da Realidade, de afastamento da ilusão, um enorme silêncio emerge a partir do centro. Nos sentimos engolfados pelo eterno silêncio de Deus. Não estamos mais falando com Deus ou, o que é pior, falando com nós mesmos. Nós estamos aprendendo a ser, a ser com Deus, a ser em Deus. [...]
Na jornada spiritual, aquietar-se consome mais energia do que correr. . . . A maioria das pessoas gasta tantas das suas horas de vigília correndo de uma coisa para outra, que acaba por temer a quietude e o silêncio. Podemos ser acometidos por um certo pânico existencial, quando encaramos a quietude pela primeira vez. . . Sem dúvida, é mais fácil aprender isso em uma sociedade estável e equilibrada. Em um mundo turbulento e confuso há muitas vozes enganadoras, muitas demandas de nossa atenção. Todavia, caso possamos reunir a coragem para encarar esse silêncio, adentramos a paz que está além de toda compreensão.

original em inglês

An excerpt from John Main OSB, “The Christian Crisis,” THE PRESENT CHRIST (New York: Crossroad, 1991), pp. 74-76.


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[T]o become spiritual we have to learn to leave behind our official religious selves—that is, to leave behind the Pharisee that lurks inside all of us—because, as Jesus has told us, we have to leave behind our whole self. All images of ourselves coming as they do out of the fevered calculating brain of the ego, have to be renounced and transcended if we are to become one with ourselves, with God, with one another—that is, if we are to become truly real, truly humble, truly human.
Our images of God must similarly fall away. We must not be idol-worshippers. Curiously, what we find is that they fall away as our images of self fall away, which suggests what . . . we always guessed anyway, that our images of God were really images of ourselves. In this wonderful process of coming into the full light of Reality, of falling away from illusion, a great silence emerges from the centre. We feel ourselves engulfed in the eternal silence of God. We are no longer talking to God or worse, talking to ourselves. We are learning to be –to be with God, to be in God. [. . . .]
On the spiritual journey it takes more energy to be still than to run. [M]ost people spend so much of their waking hours rushing from one thing to another that they are afraid of stillness and of silence. A certain existential panic can overtake us when we first face the stillness. . . . No doubt it is easier to learn this in a balanced and stable society. In a turbulent and confused world there are so many more deceptive voices, so many calls for our attention. But if we can find the courage to face this silence, we enter into the peace that is beyond all understanding.