Caríssimos Amigos

Leitura de Domingo, 24 Março 2019
Laurence Freeman, OSB

extraído da Newsletter da WCCM Internacional, Inverno de 2001.

A paz não é alcançada com a erradicação e a destruição do mal. Quando nos damos conta de nossos vícios, raiva, orgulho, ganância e luxúria, a tentativa de destruí-los facilmente se degenera em ódio a si mesmo. Afinal, se não podemos nos amar a nós mesmos, por que nos importarmos em amar aos outros? Melhor que destruir suas falhas, é trabalhar para pacientemente implantar as virtudes, um trabalho mais lento e menos dramático, mas muito mais eficaz. Adicionalmente, ao evitarmos os perigos da hipocrisia religiosa e do moralismo, criamos uma personalidade ativa mais agradável. Ocultas em todas as nossas falhas, que são a nossa capacidade para a maldade, há também as sementes de muitas virtudes. O terrorista pode ter tido a semente da justiça nele, antes que dele se apossassem sua própria raiva e, a ilusão de que ele seria o instrumento da ira divina. Quando combatemos a nós mesmos (muitos dos grandes fanáticos religiosos têm praticado a auto-negação) nos arriscamos a enormes danos colaterais: com a destruição de nossas próprias sementes de virtude. Todo tipo de violência é um crime contra a humanidade, pelo fato de privar o mundo de bondade desconhecida.
O primeiro passo na implantação das virtudes que por fim sobrepujarão os vícios, é o de estabelecer a virtude fundamental da prece regular e profunda. Através desse ritmo silencioso da prece, a sabedoria lentamente penetra nossa mente e nosso mundo. A sabedoria é o poder universal que, da maldade, gera o bem. Tal como nos diz o livro da Sabedoria: "a esperança da salvação do mundo reside num maior número de pessoas sábias". Os sábios conhecem a distinção entre o auto-conhecimento e a auto-fixação, entre o desapego e o endurecimento do coração, entre correção e crueldade. Não há regras para a sabedoria. As regras nunca são universais. Mas, a virtude é.

Original em inglês:

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Dearest Friends,” The World Community for Christian Meditation Newsletter, Winter 2001.

Peace is not achieved by rooting out and destroying evil. When we become aware of our vices – anger, pride, greed, lust – the attempt to destroy them easily degenerates into self-hatred. After all, if we cannot love ourselves why bother to love others? Better than destroying your faults is to work patiently to implant the virtues – a slower and less dramatic work but far more effective. And by avoiding the dangers of religious hypocrisy and self-righteousness, the work creates a more pleasant working personality. Hidden in all our faults – our capacity for evil – there are also the seeds of virtues, many virtues. The terrorist may have had the seed of justice in him before his anger and the delusion that he is the instrument of God’s wrath took him over. When we conduct war against ourselves (many of the greatest religious fanatics have been self-denying) we risk huge collateral damage: in the destruction of our own seeds of virtue. Every kind of violence is a crime against humanity because it deprives the world of unknown goodness.

The first step in implanting the virtues that will eventually overpower the vices is to establish the foundational virtue of deep and regular prayer. Through this silent rhythm of prayer, wisdom slowly penetrates our mind and our world. Wisdom is the universal power that brings good out of evil. As the book of Wisdom says, “the hope for the salvation of the world lies in the greatest number of wise people.” The wise know the distinction between self-knowledge and self-fixation, between detachment and hardness of heart, between correction and cruelty. There are no rules for wisdom. Rules are never universal. But virtue is.