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Reflexão da Quaresma
Sábado da primeira semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Quando duas pessoas se apaixonam, como Anna Karenina e Vronsk, na reflexão de ontem, sua linguagem de amor é intensamente e exclusivamente íntima. Outros podem ver a intimidade sendo falada porque o casal não pode esconder seus sentimentos um pelo outro quando os outros estão presentes, mas estes outros não fazem parte de sua comunidade linguística, são pessoas de fora. 

Deus também tem uma linguagem de amor. Poderia ser descrito como tendo um vocabulário de uma Palavra, através do qual a maravilhosa diversidade criativa de tudo sempre continua a fluir e se multiplicar. Qualquer um que ouça esta Palavra criadora através de qualquer aspecto pequeno ou imenso do mundo, experimenta um novo tipo de intimidade com Deus. Isso porque ela abriu dentro de nós uma nova consciência de nós mesmos, da natureza daquilo de onde viemos e estamos caminhando no caminho de nossa existência. Tornar-se mais consciente de nós mesmos, significa descobrir uma nova proximidade com Deus. Logo, percebemos que proximidade não é o que se trata. Habita: "Eu neles e tu em mim", como Jesus expressa no evangelho de João. É união.

Essa experiência íntima é o sinal de que nossa jornada de existência está indo na direção certa. A grande diferença nesta linguagem do amor de Deus, em comparação com o amor de Eros, é que ele é universal e inclusivo. É por isso que o amor de Deus tem seu próprio nome – ágape – embora isso inclua e integre o amor de eros e o amor da amizade. Jesus diz no Evangelho de São João: ‘assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti’. Toda experiência de amor, em outras palavras, nos conduz a Deus que é amor.

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Reflexão da Quaresma
Sexta-Feira da primeira semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Anna Karenina se encontra pela primeira vez com o Conde Vronsky na estação de trem onde, ao final da novela, em desespero e com vergonha dos acontecimentos após o primeiro encontro, ela irá tirar a sua própria vida ao jogar-se debaixo de um trem, Naquele primeiro momento do seu relacionamento, eles sentem de maneira recíproca uma atração imensa que nenhum deles será capaz de reprimir, ainda que inicialmente o seu condicionamento social os permita autocontrole. Tolstoy, o escritor que criou os personagens, também dá a Anna um pressentimento perturbador de uma tragédia iminente, porém a empolgação e a doçura da atração entre eles naturalmente afasta este pressentimento. 

Mais tarde, quando se encontram em um baile, a força plena da paixão deles é libertada e, despreocupados com relação à opinião alheia, eles descobrem e se comunicam na única linguagem do amor que os amantes compartilham. A linguagem do amor tem um espectro ilimitado de dialetos, sotaques e vocabulários, não apenas na forma de Eros, como Anna e Vronsky descobrem, mas também na forma de amizade. Nós conhecemos muitas pessoas durante a vida, alguns relacionamentos passageiros e outros de longa duração. Cada um é único, mas podemos gostar ou lembrar mais de uns do que de outros. A linguagem do amor compartilhado não é única entre todos. Entre futuros amigos, no entanto, pode também haver esta ignição de conexão instantânea de simpatia e atração que leva a uma única linguagem compartilhada do amor da amizade verdadeira. Um jornalista me disse uma vez como ele conheceu um policial que ele iria entrevistar e, desde os primeiros momentos da conversa, ele reconheceu na inteligência e no humor extrovertido algo em comum, o primeiro sinal de uma única linguagem de amor compartilhada – e então tornaram-se amigos para a vida.

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Reflexão da Quaresma
Quinta-Feira da primeira semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Durante nosso recente retiro da Quaresma, uma das participantes quis compartilhar o quão triste e irritada ela se sentia com o rumo que o mundo estava tomando. Ela descreveu a situação política desanimadora e o medo de cair em uma nova administração insensível e cruel, desconectada de qualquer coisa além de sua própria versão da realidade; ela lamentou o aumento da violência, mesmo em seu próprio canto, antes idílico, dos Estados Unidos. Não era algo novo; mas sua tristeza solitária e o medo assustado sobre tudo isso, juntamente com o forte pessimismo fatalista de seu tom e linguagem corporal, nos tocaram e comoveram. Ela nos agradeceu no final por criar um espaço onde esses sentimentos e medos pudessem ser expressos e ouvidos, e pela conversa que estávamos tendo. Ela disse que se sentia melhor e sorriu.

Única como ela é, existem muitos milhões que lutam com a mesma perspectiva. Apesar do viés pesado para o desespero nessa visão das coisas, um sentimento mais leve e contra toda a razão de certeza também pode nos surpreender rapidamente, assim como, ou logo antes de atingirmos o fundo. Poderíamos chamar isto de graça. Se a esperança não tiver essa certeza, é quase certamente apenas um desejo. A graça pode ser compartilhada e até se tornar contagiosa durante uma conversa genuína e sincera. Em comunhão com os outros, ousamos saber que essa esperança não é falsa e que é apenas esse seguro conhecimento interior – poderíamos chamá-lo de fé – que a torna comunicável aos outros.

Uma notável mística do século XIV, Mãe Julian de Norwich, passou pelas experiências mais sombrias enquanto quase morria da peste. O mundo ao seu redor estava bastante conturbado – vastos números de pessoas mortas pela peste, interrupção econômica, agitação civil violenta e uma guerra no exterior. 

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Reflexão da Quaresma
Quarta-Feira da Primeira Semana Da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Ontem analisamos a sabedoria do deserto cristão e a sua relevância para nós na nossa confusão de valores e propósitos do tempo presente. John Main – e posteriormente a comunidade que ele inspirou – baseou-se nessa sabedoria e a representa em sua simplicidade experiencial essencial. ‘A experiência é a professora’, diz-nos esta transmissão de sabedoria. Qualquer pessoa que ajude nesta transmissão não distraia aqueles a quem ensina com demasiada informação autobiográfica e veja-se como pontes ou vozes que transportam uma palavra. Quando vemos a infusão de sabedoria no nosso mundo desta forma, livre de personalidade, mas proveniente da autoridade pessoal além do ego, vislumbramos a sua universalidade.

O ego é apenas o ponto sobre o “i” e quando ele é removido o verdadeiro eu é revelado. No cerne da transmissão genuína e altruísta da sabedoria existe uma junção onde todos os transmissores de sabedoria se encontram na fonte. Experimentar esta unidade liberta a energia sempre renovada da esperança. Sem esperança renovada não podemos acreditar ou trabalhar desinteressadamente por uma nova evolução da humanidade. E onde mais podemos ver tão claramente o que nos une como nesta experiência de unidade na nossa origem comum, na nossa base de ser? Então, vamos fazer o que pudermos para aprofundar essa experiência em nós mesmos e na nossa comunidade imediata, permitindo que ela se espalhe como o alvorecer de uma nova humanidade contemplativa. 

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Reflexão da Quaresma
Terça-Feira da primeira semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Muitas vezes deixamos de fazer o que pensamos ou dizemos que queremos porque nos convencemos de que fracassaremos. ‘Nem vale a pena tentar’. Às vezes, justificamos isso culpando as pessoas ou as circunstâncias que tornam isso impossível. ‘Se eu pudesse ter a vida fácil de um monge ou viver num centro de meditação, meditaria o dia todo. Se eu fosse formado em aconselhamento, poderia passar tempo com pessoas que precisam de atenção. Se eu não fosse um monge numa comunidade, teria tempo para muitas boas obras.”

Todos nós fazemos isso. Mas não os padres e madres do deserto do século IV. Eles vinham de todos os níveis da sociedade e de diferentes culturas. Em comum, simplesmente partilhavam uma fome insaciável de Deus, que talvez tenham tentado suprimir, e uma consciência das suas próprias limitações, que fizeram que abandonassem tudo para fazer de Deus o centro de suas vidas. Eles tinham, portanto, um ar de extremismo que fez com que muitos os colocassem em um pedestal indesejado. Há histórias de monges que se aprofundavam ainda mais na solidão do deserto para evitar os turistas que vinham tirar selfies com eles. Alguns monges tinham uma reputação exagerada de radicalismo ascético – sobrevivendo à base de pão dormido e água – que os fazia parecer tão diferentes dos mortais comuns que chegavam mesmo a ser um pouco loucos.

Nas coleções de ditos e histórias coletadas por seguidores genuínos, e não por caçadores de celebridades místicas, podemos ver como eles realmente eram: na verdade, quão extremamente moderados eles eram e quão humanamente acessíveis em seu distanciamento. Algumas histórias instrutivas zombam do monge que saboreia sua reputação de renúncia à própria vontade e se torna um exibicionista espiritual. Contam histórias de ascetas genuínos que, sem alarde, quebram o jejum habitual para jantar com visitantes que vêm de longe para vê-los.

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Reflexão da Quaresma
Segunda-feira da primeira semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Uma das melhores maneiras de mudar a perspectiva com que olhamos a vida e a realidade é conversando de maneira inteligente com uma criança. Ou melhor, tratando a criança como um ser inteligente e ouvindo-a. As perguntas que uma criança faz, as percepções que ela transmite ingenuamente podem nos fazer pensar e podem nos humilhar.

A partir do seu primeiro vislumbre de consciência, o ser humano foi condicionado não apenas a sobreviver e a se reproduzir, mas também a questionar, a buscar significado e a desejar sua realização. Às vezes penso como tudo seria mais fácil se não tivéssemos esse condicionamento porque o questionar, o buscar e o desejar também trazem descontentamento e sofrimento. Não é de surpreender o fato de existir nos dias de hoje uma indústria, chamada de turismo e de entretenimento, que nos permite abandonar este fardo humano e fantasiar que podemos ser felizes apenas consumindo o que desejamos. Nada parece mais maravilhoso do que ser fisgado por uma série da Netflix ou até, mais tristemente, por formas piores de adicção e negação.

Certa vez, um jovem visitante me contou que estava se divertindo em uma viagem hedonística pelas praias da Tailândia, com uma nova namorada e outros amigos. Deitado na areia dourada, ele pensou consigo mesmo: “Isto é vida” e de repente, como se o chão tivesse sido subitamente arrancado de debaixo dele se deu conta que aquilo não era suficiente, não era o que ele realmente queria. O questionamento, o sentido e o desejo retornaram.

Não estou dizendo que a vida não pode ser agradável ou que devemos sempre ser sérios. Longe disso, pois também sou hedonista. Mas seja o que for que estejamos fazendo, trabalhando duro, relaxando ou buscando e desejando algo, nós, sendo humanos, precisamos estar abertos à vastidão pela qual viajamos e da qual fazemos parte. Não podemos nos esconder daquilo que está oculto à vista da mente humana.

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Reflexão da Quaresma Sábado da primeira semana da Quaresma Por Laurence Freeman OSB Quando duas pessoas se apaixonam, como Anna Karenina e Vronsk, na reflexão de ontem, sua linguagem de amor é intensamente e exclusivamente íntima. Outros podem ver a intimidade sendo falada porque o casal não pode esconder seus sentimentos um pelo outro quando os outros estão presentes, mas estes outros não fazem parte de sua comunidade linguística, são pessoas de fora. Deus também tem uma linguagem de amor. Poderia ser descrito como tendo um vocabulário de uma Palavra, através do qual a maravilhosa diversidade criativa de tudo sempre continua a fluir e se multiplicar. Qualquer um que ouça esta Palavra criadora através de qualquer aspecto pequeno ou imenso do mundo, experimenta um novo tipo de intimidade com Deus. Isso porque ela abriu dentro de nós uma nova consciência de nós mesmos, da natureza daquilo de onde viemos e estamos caminhando no caminho de nossa existência. Tornar-se mais consciente de nós mesmos, significa descobrir uma nova proximidade com Deus. Logo, percebemos que proximidade não é o que se trata. Habita: "Eu neles e tu em mim", como Jesus expressa no evangelho de João. É união. Essa experiência íntima é o sinal de que nossa jornada de existência está indo na direção certa. A grande diferença nesta linguagem do amor de Deus, em comparação com o amor de Eros, é que ele é universal e inclusivo. É por isso que o amor de Deus tem seu próprio nome – ágape – embora isso inclua e integre o amor de eros e o amor da amizade. Jesus diz no Evangelho de São João: ‘assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti’. Toda experiência de amor, em outras palavras, nos conduz a Deus que é amor. Gregório de Nazianzo, fala da linguagem do amor de Deus como incluindo a beleza e a ordem do mundo e mesmo da sociedade humana, quando está saudável em harmonia com a natureza. Mas ele também nos chama a atenção para o amor universal e aparentemente indiscriminado e sem julgamentos que Deus tem pela humanidade. Deus é como o sol que brilha sobre os bons e os maus. Deus é bondoso com os ingratos e os ímpios. Jesus conclui com o fantástico mandamento de que devemos aprender a amar como Deus ama. Amor e compaixão são inseparáveis e, para percebê-los, precisamos permitir que a primeira expressão exclusiva do amor seja aberta para incluir os outros, como quando um casal tem filhos. O amor flui para os outros e atende às suas necessidades na forma de compaixão. Começa por sentir compaixão pelos feridos do nosso lado, da nossa tribo, da nossa equipe, do nosso partido ou da nossa religião. Mas, por sua origem ilimitada, nos impele a mudar de ideia para que a mesma compaixão possa ser direcionada aos inimigos, àqueles que são estranhos ou que nos fazem temerosos. Esta é tanto a mais alta teologia quanto é a visão mais clara sobre a verdadeira natureza e pleno potencial do humano. ......... Acompanhe as reflexões diárias no site https://www.wccm.org.br/quaresma-2024/ #quaresma2024 #reflexãododia #meditaçãocristã #laurencefreeman #WCCM