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Reflexão da Quaresma
Terceiro Domingo da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

O evangelho de hoje (Jo 2:13-25) descreve Jesus purificando o Templo em Jerusalém. Indignado com a comercialização deste espaço sagrado, mas também politizado, ao ver os animais sendo vendidos para sacrifício e os mercadores explorando os visitantes estrangeiros durante o movimentado tempo da Páscoa, ele reagiu com raiva. Ele fez um chicote de cordas e expulsou os comerciantes de animais; e então virou as mesas dos mercadores, espalhando suas moedas. Sua razão era clara: 'Não transformem a casa de meu pai em um mercado'.

Locais de peregrinação católica, como Lourdes, construíram suas economias em torno dos peregrinos, mas, talvez lembrando deste trecho, as regiões sagradas em si são livres de comércio. No mês passado, os ativistas do Extinction Rebellion vestidos com roupas sociais ocuparam empresas de seguros na cidade de Londres, as quais afirmavam ser cúmplices do caos climático ao segurarem empresas envolvidas em danos ambientais. O Movimento Occupy, protestando contra a desigualdade social e econômica, perturbou Wall Street. Greta lidera greves de estudantes. Em todos esses casos, como sem dúvida no Templo, uma vez que a perturbação acaba, as coisas voltam ao normal e os mercadores negociam para recuperar suas moedas dispersas. Protestos como esses não trazem mudanças radicais e duradouras; mas eles levantam e mantêm a consciência da injustiça e desafiam os que ficam em casa, como a maioria de nós, a tomar partido, ajudando-nos assim a nos sentir menos impotentes e sem esperança.

Eles são facilmente descartados como respostas emocionais e ineficazes. Mas quando as pessoas se sentem impotentes, o que mais importa para elas é desfrutar da liberdade de expressão - exatamente o que está sendo esmagado no surgimento do totalitarismo repressivo em países como Rússia, China e Irã. Precisamos de protestos que pareçam não alcançar nada, mas que digam algo mesmo assim. No entanto, a raiva sem profundidade pode não levar a lugar algum ou pior, levar à amargura e ao desespero.

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#quaresma2024
Reflexão da Quaresma
Sábado da Segunda Semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Se você perdeu a reflexão de ontem, pode lê-la como uma preparação para a de hoje sobre Jesus como um mestre contador de histórias, mas não é necessário, porque suas histórias, mesmo que só elas mesmas, já mostram simplicidade, clareza, pé no chão e ainda, transcendência, muitas vezes com uma pitada de exagero. Imagine um brilho em seus olhos enquanto ele as contava para as pessoas sentadas, extasiadas à sua frente. Ele pode não ter sido um comediante stand-up, mas é difícil imaginá-lo como sendo pessoalmente uma pessoa solene, como ele passou a ser visto.

Sua mensagem, o tema que percorre todo os seus ensinamentos e resume sua vida e personalidade, poderia ser resumida como o “reino dos céus”. Isso não é exclusivamente dentro ou fora de nós, não é um lugar ou uma recompensa. É o que é, e muitas parábolas diferentes e sua história de vida, nascimento, morte e ressurreição o descrevem. Por que não tomar esses dois como um exercício para ouvir o contador de histórias?

O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.

Eles têm muito em comum: encontrar, vender tudo, comprar. São coisas que podemos entender da vida cotidiana, mesmo que o “tudo” seja um pouco exagerado. Estão dizendo exatamente a mesma coisa? Mais ou menos. Mas de perspectivas muito diferentes. Qual a diferença? São um alerta, um chamado de atenção para o que virá (ou um tipo de spoiler).

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Reflexão da Quaresma
Sexta-Feira da segunda semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

A história que permeia as escrituras durante a Quaresma é a do Êxodo. Eu a estudei durante muitos anos e às vezes me canso dela – especialmente quando me lembro de que ela é puramente mítica na medida em que não há registro histórico em nenhum lugar. Nunca me importei com os elementos mágicos ou sobrenaturais – dividir o Mar Vermelho, Moisés batendo no rochedo ou Deus enviando o maná para alimentar o seu povo no deserto. Estes elementos têm um nível de significado profundo e satisfatório. Assim como tem significado a constante falta de fé dos Israelitas e o pobre Moisés tendo que manter a moral do povo em alta com a ajuda de Deus. No ano passado, eu estive no Monte Nebo “na terra do Moabe”, onde Moisés viu a Terra Prometida e escutou de Deus que, por ter duvidado, ele nunca atravessaria o Rio Jordão. Isso parece um pouco severo da parte de Deus mas é dolorosamente realista. Nós nunca alcançamos a Terra Prometida nesta vida. Quando achamos que conseguimos, logo nos desiludimos. 

Portanto, apesar do livro do Êxodo ser muito familiar e talvez preferimos pular esta leitura, ele ainda tem o poder de prender o leitor e de nos ensinar algo novo. Recentemente me interessei em ler uma interpretação que via o Êxodo como uma história de protesto contra a escravidão como instituição social: o elemento divino seria a afirmação da dignidade humana universal. O fato de que os escravos encaram a liberdade como um transtorno e, em alguns momentos, querem voltar à escravidão torna esta teoria muito convincente do ponto de vista psicológico. 

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Reflexão da Quaresma
Quinta-feira Segunda Semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

O sucesso crítico e comercial do filme Oppenheimer, sobre o criador da bomba atômica, merece uma reflexão Quaresmal. O filme revela, embora dificilmente trate do fascínio humano pelo mal e da nossa incapacidade de nos controlar. O autocontrole é um dos frutos do Espírito segundo São Paulo: não apenas no que diz respeito ao consumo de açúcar ou ao uso da internet, mas ao uso correto da nossa liberdade como filhos de Deus.

A equação de Einstein explicava a energia produzida, mas não como construir uma bomba que convertesse certos átomos noutros tipos de átomos, produzindo assim o calor e a pressão que mataram mais de 100.000 pessoas em Hiroxima e Nagasaki. O filme trata do suposto ‘dilema moral’ do uso da bomba. Se isso encurtasse a guerra e “salvasse vidas”, poderia ser justificado? Este foi o argumento que eles seguiram. ‘Cuidado dos que ao mal chamam bem’, disse Isaías. Uma razão mais profunda desafia esta adesão ao fascínio pelo mal que é uma característica gelada do ser humano. A resposta simples de Einstein revela-o: a humanidade inventou a bomba atómica, mas nenhum rato jamais construiria uma ratoeira.

O filme precisava manter seu protagonista um tanto solidário e mostrar de leve a culpa de Oppenheimer por ter iniciado uma reação em cadeia, uma corrida armamentista. Como de fato aconteceu. Como os humanos são competitivos e imitam uns aos outros, este jogo tornou-se uma nuvem sombria de medo e ódio sobre a humanidade desde que as primeiras bombas foram lançadas.

O mal é justificado por ser apresentado como um “mal necessário” que pode ser chamado de “bem”.

É o tipo de jogo mental que jogamos em nossas cabeças todos os dias. O codinome do primeiro teste nuclear bem-sucedido em Los Alamos foi ‘Trinity’.

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Reflexão da Quaresma
Quarta-Feira da segunda semana da Quaresma
Por Laurence Freeman OSB

Quando era muito jovem, Teillhard de Chardin ficou profundamente preocupado com a natureza transitória do mundo. Talvez ele tenha tido a primeira consciência da morte, que pode ser uma onda de consciência para uma criança. Talvez tivesse ouvido São João: “o mundo está passando junto com os seus desejos”. É uma visão impressionante. Não apenas o mundo, os eventos, as pessoas, os objetos, os padrões que estamos acostumados a passar, mas também o próprio desejo. O que ansiamos hoje com intensidade insuportável, amanhã se tornará uma reflexão tardia. Aténossas mentes e sentimentos estão em fluxo.

​A resposta de Teillhard à sua ansiedade de transitoriedade foi procurar o que no mundo era fixo e sólido. Ele investigou a natureza de uma forma que o levou ao seu trabalho futuro. Ao descobrir que até as montanhas passam, sua busca tomou um rumo mais profundo.

​Em nossa cultura, estamos habituados à transitoriedade e à novidade. Na rápida sucessão de novas coisas, mensagens, pessoas, atividades, há pouco espaço para lamentar. Mas quando perdemos alguém ou algo que amamos, que é verdadeiramente insubstituível, o vazio de sentido nos atacará ferozmente. Perguntamos: ‘É nisso que tudo se resume?’

​Em vez de procurar a permanência e descobrir a transitoriedade, poderíamos ponderar o significado da mudança. Descobrimos que, num certo modo de ver, a mudança é a única constante. Nesse paradoxo encontramos um portal de mistério e a nossa busca muda para outra perspectiva. Não buscamos respostas ou explicações, buscamos Deus, percebendo eventualmente que Deus não é nada disso.

​A partir dessa mudança de ver as coisas desenvolvemos um autoconhecimento mais profundo. Isto leva a horizontes onde a autoconsciência se funde com o conhecimento de Deus, mesmo com uma sensação inicialmente perturbadora de que é o conhecimento que Deus tem de nós que é o ponto de partida de toda busca.

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Reflexão da Quaresma Terceiro Domingo da Quaresma Por Laurence Freeman OSB O evangelho de hoje (Jo 2:13-25) descreve Jesus purificando o Templo em Jerusalém. Indignado com a comercialização deste espaço sagrado, mas também politizado, ao ver os animais sendo vendidos para sacrifício e os mercadores explorando os visitantes estrangeiros durante o movimentado tempo da Páscoa, ele reagiu com raiva. Ele fez um chicote de cordas e expulsou os comerciantes de animais; e então virou as mesas dos mercadores, espalhando suas moedas. Sua razão era clara: 'Não transformem a casa de meu pai em um mercado'. Locais de peregrinação católica, como Lourdes, construíram suas economias em torno dos peregrinos, mas, talvez lembrando deste trecho, as regiões sagradas em si são livres de comércio. No mês passado, os ativistas do Extinction Rebellion vestidos com roupas sociais ocuparam empresas de seguros na cidade de Londres, as quais afirmavam ser cúmplices do caos climático ao segurarem empresas envolvidas em danos ambientais. O Movimento Occupy, protestando contra a desigualdade social e econômica, perturbou Wall Street. Greta lidera greves de estudantes. Em todos esses casos, como sem dúvida no Templo, uma vez que a perturbação acaba, as coisas voltam ao normal e os mercadores negociam para recuperar suas moedas dispersas. Protestos como esses não trazem mudanças radicais e duradouras; mas eles levantam e mantêm a consciência da injustiça e desafiam os que ficam em casa, como a maioria de nós, a tomar partido, ajudando-nos assim a nos sentir menos impotentes e sem esperança. Eles são facilmente descartados como respostas emocionais e ineficazes. Mas quando as pessoas se sentem impotentes, o que mais importa para elas é desfrutar da liberdade de expressão - exatamente o que está sendo esmagado no surgimento do totalitarismo repressivo em países como Rússia, China e Irã. Precisamos de protestos que pareçam não alcançar nada, mas que digam algo mesmo assim. No entanto, a raiva sem profundidade pode não levar a lugar algum ou pior, levar à amargura e ao desespero. No evangelho, Jesus explica seu comportamento no Templo nos termos místicos mais profundos: identificando o Templo com sua própria forma ressuscitada de encarnação. O maravilhoso filme Jesus de Montreal mostra uma figura contemporânea de Jesus espelhando os eventos que levam à sua morte e ressurreição. Ele lidera um grupo heterogêneo de atores, entre os quais, em uma cena, a figura de Maria Madalena está fazendo teste, levemente vestida, para um comercial de cerveja na TV. Jesus está presente no estúdio e testemunha sua zombaria, degradação e humilhação pelo produtor. Jesus se levanta e, silenciosamente, calmamente, anda pelo estúdio derrubando as câmeras e iluminação. Isso leva ao seu julgamento e eventual morte. Estamos obcecados com objetivos, resultados, mensuráveis para tudo o que fazemos, alheios à sabedoria do Bhagavad Gita sobre o trabalho: Você tem o direito de realizar seus deveres prescritos, mas não tem direito aos frutos de suas ações. Nunca se considere a causa dos resultados de suas atividades, nem se apegue à inação. (BG 2:47). A qualquer momento, em qualquer lugar do mundo, quando alguém se senta para meditar, está fazendo o protesto perfeito contra a ilusão que subjuga à injustiça. Cada meditação testemunha a verdade e a bondade e as aproxima de serem realizadas. ……….. Acompanhe as reflexões diárias no site: https://www.wccm.org.br/quaresma-2024 #quaresma2024 #reflexaododia #meditaçãocristã #laurencefreeman #WCCM