Mudando nossa ideia de Deus
(…) Descobrimos um dos grandes frutos da meditação: essa experiência de Deus, silenciosa, na quietude e sem autoconsciência, vai se desenvolvendo e florescendo em nós dia após dia, ao longo do nosso caminho de meditação.
Essa experiência de Deus nos faz voltar às palavras e às imagens das Escrituras — não apenas das nossas, mas, de fato, de todas as escrituras. Ela transforma a nossa ideia de Deus ao mesmo tempo em que transforma a nossa ideia de nós mesmos.
Percebemos, então, expressões, palavras e imagens nas Escrituras que antes nem notávamos. Percebemos que Jesus, por exemplo, chama Deus de Aquele que verdadeiramente é; percebemos que São Paulo chama Deus de Fonte, Meta e Guia.
Começamos a compreender o que São João quer dizer quando afirma que Deus é maior do que a nossa consciência — uma ideia profundamente libertadora, que só começamos a entender a partir da nossa própria experiência de Deus.
Dizer que Deus é maior do que a nossa consciência significa que Deus é mais profundo do que nossas projeções, mais profundo do que a nossa culpa, mais profundo do que o nosso medo de punição; Deus, como diz São João, conhece tudo.
(Aspects of Love 3, de Laurence Freeman)
