A conversa é, na verdade, também uma comunhão

A palavra “conversão” significa literalmente, em latim, “voltar-se com” — con significa “com” e versere significa “voltar-se, girar”.

Assim, chegamos a perceber que esta conversa é, na verdade, também uma comunhão. Não é algo que fazemos isoladamente. Temos que assumir nosso próprio compromisso, precisamos perseverar por nós mesmos e voltar quando falhamos.

Mas, na realidade, não é um processo solitário. Mesmo que às vezes tenhamos que entrar no deserto, não se trata de isolamento. Trata-se de comunhão.

Porque aquilo para o qual estamos sempre nos voltando — se nos voltamos para Deus, e nos voltamos para o outro, se nos voltamos para a pessoa que está conosco — é justamente essa realidade da consciência indivisa.

“Que eles sejam um, como Tu, Pai, estás em mim e eu em Ti; que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que Tu me deste, para que sejam um como nós somos um: Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitamente um.”
(João 17,21-23)

Assim, no coração da visão cristã está esta realização, esta descoberta, este despertar para este campo de consciência indivisa, de unidade, de simplicidade.

(Do livro A Arte de Esperar, de Laurence Freeman)

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