Um estado de segurança
William James, que foi um dos fundadores da psicologia moderna e um estudante, pesquisador da experiência religiosa, escreveu um grande livro chamado As Variedades da Experiência Religiosa, na Grã-Bretanha no século XIX, no qual descreveu diferentes tipos de experiência de conversão.
Ele identificou certas características comuns nessa experiência, mas o que eu gostaria apenas de citar dele é uma frase muito curta. Ele descreve a conversão, o estado de conversão, como o “coração permanentemente paciente, com o amor de si mesmo erradicado”.
O coração permanentemente paciente com o amor de si mesmo erradicado — “si mesmo erradicado” significando a centralização no próprio eu, o egocentrismo, que foi dissolvido.
E esse estado de conversão pode ser caracterizado, segundo William James — e penso que muitos de nós seríamos capazes de apontar para algum nível de experiência pessoal para confirmar isso — por alguns dos sinais do estado de conversão, o estado de estar em um avanço (um rompimento, uma passagem para algo novo), que é um estado de segurança, uma espécie de reafirmação interior de que, como disse Madre Juliana, “tudo ficará bem, e todo tipo de coisa ficará bem”.
(A Arte de Esperar, de Laurence Freeman)
