Entre a auto-rejeição e a auto-indulgência
Como amamos a nós mesmos? Penso que, em reação a essa longa história de moralidade negativa e de uma espiritualidade que rejeita o próprio eu, hoje nos movemos — às vezes de modo conflituoso e autocontraditório — para outro extremo, onde nos dizem que precisamos ser bons conosco mesmos: cuide de si; seja gentil consigo; tire férias; se quiser fazer algo, faça.
É aqui que o amor por si mesmo frequentemente se torna pouco mais do que auto-indulgência, onde amar a si mesmo passa a significar apenas dar a si uma sequência constante de pequenos agrados.
Pode ser necessário e até bom para nós ir um pouco para esse outro extremo. Claramente há sabedoria nessa psicologia moderna e popular que nos incentiva a sermos bons conosco mesmos.
Mas penso que aquilo que a tradição espiritual — e o ensinamento da meditação — nos recorda é que amar a nós mesmos significa encontrar um caminho do meio entre a auto-negação e a auto-rejeição, de um lado, e a auto-indulgência e o narcisismo, do outro.
Em algum lugar entre a auto-rejeição e a auto-indulgência encontramos nossa verdadeira capacidade de amar a nós mesmos.
(Aspects of Love 2, de Laurence Freeman)
