A luz que temos dentro de nós
Existe, na literatura mística cristã, uma compreensão, uma descrição e um reconhecimento daquilo que poderíamos chamar de experiências de iluminação.
Evágrio Pôntico, um dos mais intelectuais, teológicos e filosóficos entre os Padres do Deserto, fala da meditação como o caminho “pelo qual chegamos a ver a luz do nosso próprio espírito”.
“Pelo qual chegamos a ver a luz do nosso próprio espírito.” Ele está descrevendo um estágio da consciência, uma etapa da jornada espiritual.
Poderíamos dizer que se trata de ver a própria mente com clareza, sem autoanálise ou autorreflexão, sem a intervenção do pensamento intelectual.
Será que isso significa apenas enxergar o mundo de maneira diferente? Ou significa que as próprias portas da percepção são purificadas, limpas e transformadas?
E, à medida que elas são transformadas, à medida que percebemos de modo diferente, passamos a perceber, a ver a nós mesmos e a contemplar a luz que temos dentro de nós.
— Do livro Enlightenment, de Laurence Freeman OSB
