A oração é uma boa escola de comunidade.
Nos outros, reconheço o mesmo Espírito que habita meu próprio coração.
John Main, Despertar 2 , Série de Palestras sobre Meditação 2014
Sugeri que, em nossa oração, deixemos Deus ser; que o adoremos como Ele é, todo santo, todo amável, todo compassivo, todo perdoador; e que não tentemos manipulá-lo. Em nossa oração, nos curvamos em adoração. Não dissipemos Deus com nossas palavras inteligentes ou fórmulas vazias. Aprendemos a adorá-lo da profundidade do nosso espírito, em silêncio e reverência. E em nossa oração, também, aprendemos a deixar o nosso próximo ser. Aprendemos a não tentar manipular o nosso próximo, mas sim a reverenciá-lo e amá-lo assim como reverenciamos e amamos o Senhor nosso Deus. Por isso, a oração é uma boa escola de comunidade. Em e através da nossa devoção comum à oração, encontramos a verdadeira glória da comunidade cristã como uma assembleia de irmãos e irmãs eleitos e ungidos, vivendo uns com os outros em profundo e amoroso respeito.
A comunidade cristã é, em essência, a experiência de pessoas que convivem com outras que estão sensivelmente sintonizadas umas com as outras, na mesma frequência do Espírito que chamou cada um de nós à plenitude da vida. Nos outros, reconheço o mesmo Espírito que habita meu próprio coração, o Espírito que constitui meu verdadeiro eu. Nesse reconhecimento do outro – o reconhecimento que transforma nossas mentes – o outro se revela como realmente é; o verdadeiro eu do outro emerge, não uma mera extensão manipulada da minha mente. Em outras palavras, quando reconhecemos o Espírito no outro, o outro se move e age a partir de sua própria realidade integral, não mais como uma criatura criada por mim. E mesmo que nossas ideias ou princípios entrem em conflito, eles se mantêm em uma verdadeira unidade por meio desse reconhecimento mútuo da realidade essencial em cada um. De fato, a dinâmica de apoio e sofrimento mútuos do corpo místico de Cristo tem justamente esse objetivo: que nos ajudemos uns aos outros a realizar nosso próprio ser essencial.
Kobayashi Issa, Antologia de Literatura Japonesa
Em seu olhar
as colinas distantes se refletem — uma libélula!
