Aquele que nos encontrou

De John Main: Doze Palestras para Meditadores, Série de Palestras Meditação de setembro de 2012

Frequentemente percebo, ao falar sobre meditação, que é o não cristão,  até mesmo a pessoa sem religião, quem primeiro compreende do que se trata a meditação. Para muitos frequentadores comuns da igreja, e muitos padres, monges e religiosas, o mantra parece a princípio uma técnica suspeitamente nova de oração, ou algum método exótico ou algum tipo de terapia que talvez ajude a relaxar, mas que não teria direito a ser chamada  Cristã. Este é um estado de coisas desesperadamente triste.

Muitos cristãos perderam o contato com a própria tradição de oração. Já não nos beneficiamos  como deveríamos da sabedoria e do conselho experiente dos grandes mestres da oração. Todos esses mestres concordaram que, na oração, não somos nós mesmos que tomamos a iniciativa. Não estamos falando com Deus; estamos escutando a sua Palavra  dentro de nós. Não estamos a sua procura, é Ele quem nos encontrou. Walter Hilton expressou isso de forma muito simples no século XIV. Ele escreveu:

Você mesmo não faz nada. Você simplesmente permite que ele opere em sua alma. (A Escala da Perfeição, Bk I. cap. 24)

O conselho de Santa Teresa estava em sintonia com isso. Ela nos lembra que tudo o que podemos fazer em oração é nos desfazer de nós mesmos. O resto está no poder do Espírito que nos conduz. A linguagem com a  qual expressamos nossa experiência espiritual muda. A realidade do Espírito não muda. Portanto, não basta ler os mestres da oração. Precisamos ser capazes de aplicar o critério da nossa própria experiência, por mais limitada que seja, para reconhecer a mesma realidade brilhando através de  diferentes testemunhos.

Após a Meditação: O Ensinamento Espiritual de RAMANA MAHARSHI (Boston & Londres, SHAMBHALA, 2015) p.62

Como posso alcançar a autorrealização?

A realização não é nada a ser conquistado de novo; ela já  está aí. Tudo o que é necessário é  livrar-se do pensamento “Eu não percebi.” Quietude ou Paz é Realização. Não há momento em que o Eu  não seja. Enquanto houver dúvida ou sensação de não-Realização, deve-se tentar se livrar desses pensamentos. Eles surgem da identificação do Eu com o não-Eu. Quando o não-Eu desaparece, só o Eu permanece. Para abrir espaço, basta que o aperto seja removido, o  espaço não é trazido de outro lugar.

Como posso alcançar o Eu?

Não há como chegar ao Eu. Se o Eu pudesse de ser alcançado,  significaria que o Eu não está aqui e agora, mas ainda teria de  ser obtido. Aquilo que é obtido de novo também será perdido. Portanto, será impermanente. O que não é permanente não vale o esforço. Então eu digo que o Eu não é alcançado. Você é o Eu; você já é isso.

 

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