Como abrir um caminho para a realidade
Um trecho de John Main OSB, “Straying from the Mantra” (Desviando-se do Mantra), THE HEART OF CREATION (Nova York: Continuum, 1998), pp. 9-10.
A meditação e o retorno constante a ela, todos os dias da sua vida, é como abrir um caminho para a realidade… E não é pouca coisa entrar na realidade, tornar-se real, tornar-se quem somos, porque nessa experiência nos libertamos de todas as imagens que constantemente nos atormentam. Não precisamos ser a imagem que alguém tem de nós mesmos, mas simplesmente a pessoa que realmente somos.
A meditação é praticada na solidão, mas é a melhor maneira de aprender a se relacionar. A razão para esse paradoxo é que, tendo contatado nossa própria realidade, temos a confiança existencial para ir ao encontro dos outros, para encontrá-los em sua realidade. E assim, o elemento solitário na meditação é misteriosamente o verdadeiro antídoto para a solidão. Tendo contatado nossa própria realidade, não somos mais ameaçados pela alteridade dos outros. Não estaremos sempre buscando uma afirmação de nós mesmos. Estaremos em busca do amor, buscando a realidade do outro. Na visão Cristã da meditação, encontramos a realidade do grande paradoxo que Jesus ensina: se quisermos encontrar nossas vidas, temos que estar preparados para perdê-las. Ao meditar, é exatamente isso que fazemos.
Após Meditação, “A Letra”, de Tom Clark, de Luz e Sombra: Poemas Novos e Selecionados. Minneapolis: Coffee House Press, anotado em Writer’s Almanac, 2.7.2007.
Sofrimento
lamento, tristeza e alegria selvagem
se misturam na
letra — um suspiro coletivo
de alívio surge em cascata
do nada —
um anseio por submergir
na vida como o nadador
esquecido na piscina
imerso e saciado —
a água arrastando diamantes
espalhados em uma voz farfalhante
de resignada submissão
como se, ao mesmo tempo
todos os seres vivos estivessem falando através de você —
