Dando o tempo necessário

O meditador segue, como o jardineiro, as leis básicas da sua própria natureza, respeitando e compreendendo as realidades particulares da dimensão espiritual. E a única maneira de conseguirmos isso é dedicando o tempo necessário à prática contemplativa. Talvez no passado, quando a vida era menos agitada, menos distraída e menos saturada pela mídia e pelas redes sociais, talvez em sociedades mais agrícolas, mais tradicionais, mais tranquilas, existissem momentos ou períodos do dia em que as pessoas pudessem se reconectar com a sua dimensão espiritual, com o seu mundo interior. Mas isso é muito raro hoje em dia, porque praticamente cobrimos toda a vida com uma saturação contínua de ruído e atividade. Então, quando crianças, ou adultos, aliás, têm a oportunidade de redescobrir esse mundo interior, é claro que as crianças, em especial, reconhecem e apreciam essa oportunidade, e os adultos geralmente sabem que é algo que desejam cultivar.

(  Avanço, de Laurence Freeman )

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