Renúncia às posses

Há um aspecto material nessa renúncia às posses. Mas o significado mais profundo dela é a pobreza de espírito: a capacidade de deixar ir, dentro de nós, o impulso egoísta de possuir e controlar.

Esse desejo de possuir e controlar é um instinto profundamente enraizado em todo ser humano. Pensamos que é mais importante ter do que ser.

Mais uma vez, isso se revela na nossa oração, na meditação. É na oração que, de fato, renunciamos a todas as nossas posses.

Temos responsabilidades para com a família, os amigos e o trabalho; não podemos simplesmente renunciar a tudo e colocar nossos filhos na rua. Mas, mesmo sendo responsáveis pela administração de nossos bens e recursos, ainda podemos renunciar a eles, se nos tornarmos não possessivos, usando-os com generosidade e sabedoria, sem sermos possuídos por aquilo que possuímos.

Este é um elemento muito importante do discipulado: compreender o que realmente significa a pobreza de espírito.

— A Vida Cristã à Luz da Meditação Cristã – Volume 1: Discipulado, de Laurence Freeman.

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