Restaurando-nos ao realismo
Há algumas coisas que não podemos acelerar. Mas, se as aceleramos na nossa imaginação, começamos a criar uma realidade virtual. E penso que isso contribui para muitos dos nossos problemas hoje: imaginamos um mundo que não é o mundo real.
Existe uma realidade virtual, alimentada e impulsionada pelo nosso fascínio e pela nossa confiança na tecnologia, pela ideia de que a tecnologia pode fazer tudo. E, quando descobrimos que o mundo não é realmente assim, percebemos uma grande decepção.
Menciono isso porque, se existe uma abordagem contemplativa para essa crise, creio que ela está precisamente aqui: uma abordagem contemplativa ajuda-nos a recuperar o realismo. Ela nos permite perceber a distinção entre a nossa fantasia, a velocidade imaginada das mudanças e do desenvolvimento, e a realidade das coisas, mantendo essas duas dimensões em relação uma com a outra.
Porque, caso contrário, se nos deixarmos absorver completamente e aprisionar pela realidade virtual da nossa imaginação, a própria realidade se tornará uma inimiga. E acabaremos nos sentindo oprimidos pela realidade.
(A Arte de Esperar, de Laurence Freeman)
