A alegria do Evangelho
Falei sobre o poeta inglês John Keats e sua ideia de capacidade negativa (negative capability), que dá vigor, entusiasmo, energia e alegria à vida.
Esta é a alegria do Evangelho. Isso não significa que estejamos sempre felizes, nem que sempre consigamos aquilo que desejamos. Isso seria totalmente irrealista. Mas gusto (vigor, entusiasmo pela vida) é uma boa palavra para descrever aquilo que nasce dessa espera profunda, dessa paciência com a realidade da natureza e com a natureza da própria realidade.
Com tanta frequência queremos acelerar a realidade porque nos tornamos impacientes, e então começamos a sair de sintonia com a própria realidade. Mas não podemos acelerar a natureza. É preciso um certo tempo para que as sementes cresçam; é preciso um certo tempo para que uma criança, um bebê, se desenvolva no ventre materno; é preciso um certo tempo para aprendermos uma nova língua.
A vida tem seus ritmos próprios. Quando tentamos forçá-los, sofremos. Quando aprendemos a esperar com paciência e atenção, descobrimos uma fonte mais profunda de alegria — não uma alegria baseada em resultados imediatos, mas uma alegria que nasce da confiança no processo da vida.
(A Arte de Esperar, de Laurence Freeman)
