A verdade se vive, não se fala

De Laurence Freeman OSB em SENSING GOD: Aprendendo a Meditar Durante a Quaresma (Cincinnati: Franciscan Media, 2016), p. 72.

A verdade não é apenas o que você diz. Você pode esperar que seu advogado te diga as palavras doces que vão te livrar da culpa. Mas a verdade é vivida, não dita. É o que você vive, e como você vive. A verdade não pode ser escondida. Quando a poeira da explosão que tentou destrui-la baixa, aquilo que você tentou ocultar torna-se mais visível do que nunca.

Se você tem algo a esconder e tem medo da verdade, então essa é a terrível e inescapável verdade sobre a  verdade. Ela virá à luz, assim como a realidade emergirá das cinzas da ilusão que tentou escapar da verdade. Isso é verdadeiro não apenas para  os atos cometidos. É verdadeiro também em relação a uma verdade reprimida em nossas mentes e memórias. Um sentimento doloroso demais para ser enfrentado, um erro doloroso demais para ser  admitido, uma percepção transformadora demais para ser acolhida.

A menos que nos apresentemos abertamente e deixemos a verdade se revelar à luz, seremos perseguidos e viveremos em fuga. Meditação é viver na verdade. À luz — ao ar livre.

Apos a meditação: “Soneto Amarelo” de Paul Zimmer em THE GREAT BIRD OF LOVE (Chicago: University of Illinois Press, 1989), p. 26.

SONETO AMARELO

Zimmer já  não deseja escrever

Sobre o apagar de suas luzes,

Relatando todos os seus pequenos terrores.

Em vez disso, ele fala da genialidade,

Caminhando para casa depois da primeira série

Na primavera, a luz descendo

Para se sustentar e deslumbrá-lo

Em  meio a uma explosão de dentes-de-leão.

Foi então que ele aprendeu que

Ele sempre amaria o amarelo,

A poeira quente em seus nós dos dedos,

A lembrança de juntar pedaços

Para levar para casa em sua lancheira

Como um presente de amor para sua mãe.

 

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