O crescimento do amor é o verdadeiro teste
A paz, a quietude e a harmonia que experimentamos na meditação se torna a base de todo nosso agir.
The Hunger for Depth and Meaning, Learning to meditate with JOHN MAIN, MEDITATIO TALKS SERIES 2007
Todos que perseveram na meditação descobrem que, embora aparentemente nada aconteça durante o tempo da meditação, aos poucos toda a nossa vida muda. É preciso ser paciente. A gente gostaria que mudasse mais rápido. Nosso pensamento fica mais claro, os relacionamentos se tornam mais cálidos. Isso acontece porque, no processo meditativo, somos libertados para amar pelo Amor. O motivo é muito simples. Quando meditamos, não apenas damos um passo atrás em relação às operações individuais de nosso ser, mas começamos a aprender a encontrar um terreno completamente novo a partir do qual nos posicionarmos. Descobrimos um enraizamento do ser. As raízes não estão só em nós. Descobrimo-nos enraizados em Deus. Enraizados em Deus que é Amor.
A paz, a quietude e a harmonia que experimentamos na meditação se torna a base para todas as nossas ações. Todos as reflexões estão agora iluminadas, inspiradas pelo amor, pois sabemos que o amor é o próprio fundamento de nosso ser. Tudo isso acontece porque aprendemos a ter coragem de tirar a atenção de nós mesmos. Aprendemos a parar de pensar sobre nós mesmos. Permitimo-nos simplesmente ser – imóveis, silenciosos. E nessa imobilidade e silêncio encontramo-nos em Deus, no amor. Você descobrirá que a experiência em si é autolegitimadora. Verá que quanto mais meditar, mais o seu dia parece se estruturar, e mais propósito encontrará em sua vida. Então, quanto mais perceber propósito em tudo, tanto mais verá o amor crescer em seu coração. Pode bem ser que lá haja uma boa parte de mesquinhez também, mas o amor está crescendo. Esse é o verdadeiro teste da meditação. Não se pode testá-la através de um teste materialista, como: “Terei visões fantásticas se eu meditar?”. O verdadeiro teste é o crescimento do amor em seu coração.
Sobre o amor, de Kahlil Gibran, em O Profeta.
Então disse Almitra: Fale-nos do Amor.
Ele então ergueu a cabeça e contemplou o povo, e instalou-se a quietude sobre eles. E com voz forte ele disse:
Quando o amor os chamar, siga-o,
Embora seus caminhos sejam duros e íngremes.
Quando suas asas o envolverem, ceda.
Embora o fira a espada oculta em suas penas.
E quando ele lhe falar, acredite,
Embora sua voz desmanche seus sonhos e o vento norte arrase o jardim.
Pois assim como o amor o coroa, ele o crucificará. Assim como ele é para o seu crescimento, é também para a poda.
Assim como ele sobe à sua altura e acaricia seus galhos mais tenros que tremem ao sol,
Do mesmo modo descerá até suas raízes e as sacudirá enquanto se agarram à terra.
Como feixes de milho ele o reúne em si
Ele bate para desnudá-lo,
Ele peneira para livrá-lo das cascas,
Ele mói até a brancura
Ele amassa até que fique maleável
E então o leva a seu sagrado fogo, para que se torne pão consagrado para o banquete santo de Deus.
O amor fará todas estas coisas a você para que conheça os segredos de seu coração, e nesse conhecer se torne um fragmento do coração da Vida.
