Do dizer ao soar o mantra

Vou pedir a vocês que pensem na maneira como o mantra nos acompanha e, de certo modo, nos conduz através dos diferentes níveis de consciência, com a prática regular, é claro, e como, à medida que faz isso, ele se torna um amigo, torna-se um guia, torna-se um modo de vida.

Nesse processo, nós passamos de dizer o mantra com constantes interrupções em nossa mente — todos nós começamos em nossa cabeça — e então, gradualmente, ao longo do tempo, à medida que o processo de conversão se desenvolve, passamos para soar o mantra.

O que isso significa? Significa que nós dizemos o mantra, é claro, mas com menos esforço, com menos esforço consciente de nossa parte, porque agora ele está se tornando mais parte de nós. Ele ressoa conosco. E precisamos de menos esforço. Somos interrompidos com menos frequência.

É claro que, enquanto soamos o mantra, ainda podemos experimentar distrações e períodos de completa distração, nos quais paramos de dizer o mantra totalmente. Mas então nós deixamos ir e retornamos ao soar do mantra.

Portanto, é um processo gradual e sutil, difícil de colocar em palavras, mas evidente para qualquer pessoa que medita regularmente.

E então o próximo passo é escutar. Agora o mantra está profundamente enraizado, profundamente em casa em nossa consciência, em nosso coração. É por isso que ele é chamado de oração do coração.

E agora, quando nos sentamos para meditar, na maior parte do tempo é como se estivéssemos simplesmente liberando-o.

(“A Arte de Esperar”, de Laurence Freeman

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