Dinâmicas autocontraditórias
Uma espiritualidade negativa, naturalmente, é contraproducente. Ela nos diz que somos pecadores, que temos uma tendência embutida, inata, ao pecado, que essa é a nossa identidade mais profunda, e que devemos resistir a ela e superá-la; que estamos cheios de ego e que devemos destruir o ego.
Mas uma espiritualidade negativa desse tipo tende apenas a reforçar o ego, a empurrá-lo ainda mais para dentro, a fortalecê-lo com dinâmicas complexas, a fortalecê-lo com seus próprios medos, suas próprias culpas e sua própria vergonha.
Então, naturalmente, onde quer que haja essa culpa, vergonha e medo no ego, surge a rebelião. O ego passa a envolver-se em dinâmicas autocontraditórias: conflitos e tensões dentro de nós mesmos, que nos deixam perplexos, fazendo-nos sentir que não nos compreendemos, que não sabemos por que estamos agindo da maneira que agimos.
Sentimo-nos dominados por sentimentos negativos e controlados por impulsos negativos. Encontramo-nos presos, muitas vezes, em padrões de vida que parecem nos segurar e nos agarrar com suas forças negativas, cheios de truques da mente — muito parecido com o que enfrentam as pessoas que lutam contra o vício.
(Aspects of Love 2, de Laurence Freeman)
