A simplicidade da unidade divina

Um excerto de John Main OSB, “A Consciência de Jesus” em WORD MADE FLESH: Recuperando um sentido do sagrado através da oração (Norwich: Canterbury Press, 2009), p. 5.

É a simplicidade de Deus, a unidade divina, que nos chama à meditação. É também o nosso maior obstáculo. Pois como podemos nós, com toda a nossa complexidade, conhecer a simplicidade absoluta? O mantra é o caminho através desse obstáculo. É um sinal ou símbolo da unidade e simplicidade de Deus. Em toda a literatura clássica da oração, em Santa Teresa, São João da Cruz, Mestre Eckhart, encontramos a ideia comum de que o caminho para a união total e a presença contínua é o caminho da disciplina simples e altruísta. O altruísmo é o caminho do mantra. Ele nos conduz para fora do labirinto da autoconsciência. Por sua repetição constante, ele nos leva gradualmente, e com muita paciência, ao silêncio onde tudo se resolve na absoluta simplicidade de Deus. Na unidade divina, nos tornamos um…

Após a meditação: Mary Oliver, “A coruja branca voa para dentro e para fora do campo” em DEVOTIONS: The Selected Poems of Mary Oliver (Nova York: Penguin, 2017), p. 324.

CORUJA BRANCA VOA PARA DENTRO E PARA FORA DO CAMPO

Descendo
do céu gélido

com sua luz profunda,

como um anjo

ou um Buda com asas,

era belo

e preciso,

atingindo a neve e tudo o que ali estivesse

com uma força que deixou a marca

das pontas de suas asas —

a um metro e meio de distância — e a pegada

firme de seus pés,

e a indentação do que havia percorrido

através dos vales brancos

da neve.

 

 

E então ela se elevou, graciosamente,
e voou de volta para os pântanos congelados,

para ficar ali à espreita,

como um pequeno farol

nas sombras azuis —

então eu pensei:

talvez a morte

não seja escuridão, afinal,

mas tanta luz

nos envolvendo —

suave como penas —

que instantaneamente nos cansamos

de olhar, e olhar, e fechamos os olhos.

 

 

Não sem espanto,
e deixamo-nos levar
como através da translucidez da mica,

até o rio

que não tem a menor mancha ou sombra —

que não é nada além de luz — luz escaldante, luz aórtica —

na qual somos lavados e purificados

até os nossos ossos.

 

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