A energia da criação
Keats continua dizendo:
“O caráter poético não possui um eu. Ele é tudo e nada. Não tem caráter próprio. Alegra-se tanto na luz quanto na sombra. Vive com entusiasmo, seja o que for feio ou belo, elevado ou humilde, rico ou pobre, vulgar [isto é, baixo] ou nobre.”
E a palavra “gusto” aqui é uma palavra inglesa que significa energia e entusiasmo, a energia da criação, da criatividade.
Assim, quando saboreamos a realidade diretamente dessa maneira, sem analisá-la, sem objetificá-la, tornamo-nos livres para desfrutá-la.
Segundo Thomas Aquinas:
“A contemplação é o simples desfrutar da verdade.”
Simples: sem análise, sem planejamento, sem precisar explicar tudo, sem precisar controlar tudo — o simples desfrutar. É a alegria que qualquer artista encontra ao criar, e todo artista ama aquilo que faz.
Deus ama o mundo. Deus é o artista supremo.
E, em nossa própria criatividade, talvez não sejamos poetas, mas podemos ser criativos; somos criativos de muitas outras maneiras. E a meditação abre para nós a nossa criatividade interior.
(A Arte de Esperar, por Laurence Freeman)
