Autoconhecimento, humildade, clareza e libertação
(…) temos que penetrar através de nossas camadas secundárias óbvias e também não tão óbvias de autorreconhecimento. As maneiras pelas quais nos reconhecemos, nos descrevemos, preenchemos formulários, nos apresentamos aos outros pela maneira como nos vestimos ou pela maneira como agimos, pelos carros que dirigimos ou pela casa em que moramos, pelas conversas que temos ou pelas companhias que mantemos, todas essas maneiras pelas quais nos expressamos, nos reconhecemos e nos sentimos confortáveis, tudo isso precisa ser penetrado. Temos que enxergar através disso. Esse é o trabalho de encontrar a si mesmo. Isso não significa necessariamente que você tenha que parar tudo o que está fazendo e ir para o deserto ou para Bonnevaux, ou mudar as formas externas da sua vida. Mas significa que o que você precisa enxergar está nos níveis secundários de autorreconhecimento; isso é autoconhecimento, isso é humildade, isso é clareza e também é libertação. Isso é, eu acho, o que Jesus quis dizer com “perder a vida”. Significa estar desapegado do que podemos possuir de nós mesmos. Qualquer coisa que temos ou somos, que poderia ser possuída — status, dinheiro, identidade, identidade social, identidade religiosa — qualquer coisa que possa ser vista como uma posse tem que ser abandonada.
( Encontrando a Si Mesmo 1 Laurence Freeman)
