Retornando à fonte
De Laurence Freeman, “MED: O Prefixo Adorável”. Medium, setembro de 2025.
Med- é o meu prefixo favorito. Pense em quantas vezes ele aparece em palavras que falam de equilíbrio e conexão: (sem esquecer o próprio ‘Medium’ (médio)), middle (meio), mediana, mediato e, em particular, para esta reflexão: Meditação e Medicina.
O prefixo é uma raiz indo-europeia que denota fazer a coisa certa, tomar as medidas apropriadas — sabedoria e bom senso. Conecta-se com o sentido de “cuidado” e “atenção” em tudo: pensamento, sentimento e ação. É encontrar o equilíbrio, o centro de gravidade, retornando à fonte. Voltando à raiz, como descrito no Capítulo 16 do Tao Te Ching:
Repousando a mente na quietude,
a percepção de todas as coisas surge e desaparece em conjunto,
e em seu surgimento está seu retorno. Como flores e folhas,
elas crescem, florescem e então retornam à sua raiz.
Retornar à raiz traz paz,
uma paz que reconhece
sem diferença entre o eu e o outro
e aprecia a consciência
como absolutamente perfeita tal como ela é.
Ao buscar aconselhamento médico, você espera receber cuidado e atenção personalizados. Você percebe imediatamente quando esse cuidado é genuíno e intencional, ou quando é superficial, distraído e falso. Parte da própria cura, assim como a eficácia da cura desejada, depende de receber essa atenção carinhosa. Da mesma forma, quando meditamos, praticamos em nós mesmos uma atenção amorosa e carinhosa no nível mais profundo, mais profundo do que o ego. Isso libera a plenitude, a saúde e a santidade do Ser, do Espírito.
Em nossa era de ouro da ciência médica, a arte de curar é frequentemente descartada. A medicina torna-se, então, uma atividade puramente racional, tratando a doença e não a pessoa como um todo. É urgente que restauremos a conexão humana entre a arte da oração e a arte de curar, apoiada, e não absorvida pela ciência. Em uma época caracterizada por ansiedade, isolamento e depressão, essa conexão ilumina a integração da espiritualidade com o cuidado da saúde mental. A psicologia, quando praticada com o cuidado e a atenção pessoal que nutrem a relação terapêutica, não deve apenas categorizar, medicalizar e objetificar o estado mental ou a doença mental. Deve oferecer o cuidado e a atenção que nada mais são do que amor puro, desapegado e engajado.
Assim, compreender o significado de “med ” oferece um caminho para restaurar e manter a saúde mental em uma sociedade tão psicologicamente fragilizada e espiritualmente carente como a nossa. Ensina-nos a transformar o flagelo da solidão autodestrutiva na sabedoria da solitude.
Cuidado e atenção são conexão, e conexão é, bem, tudo.
Após a Meditação: Eternidade, William Blake (Domínio Público/poets.org)
Aquele que se apega à alegria
destrói a vida alada.
Aquele que beija a alegria enquanto ela voa
vive no amanhecer da eternidade.
