A realidade exige quietude e silêncio

From John Main OSB, “Growing in God,” THE WAY OF UNKNOWING (New York: Crossroad, 1990), pp. 79-81.

Qual é a diferença entre realidade e irrealidade? Uma forma de compreendê-la é ver a irrealidade como produto do desejo.  Uma coisa que aprendemos na meditação é a abandonar o desejo, e aprendemos porque sabemos que nosso convite é viver inteiramente o momento presente.  A realidade exige quietude e silêncio. E esse é o compromisso que assumimos na meditação. Como todos podem perceber por sua própria experiência, aprendemos na quietude e no silêncio a nos aceitar como somos.  Isso soa muito estranho aos ouvidos modernos, sobretudo para cristãos modernos que foram criados para praticar tanto esforço ansioso: “Não deveria eu ser ambicioso? E se eu for uma pessoa má, não deveria desejar ser melhor?”

A verdadeira tragédia do nosso tempo é que estamos tão cheios de desejo, de felicidade, de sucesso, de riqueza, de poder, seja lá o que for, que estamos sempre nos imaginando como poderíamos ser.  Raramente chegamos a nos conhecer como  somos e a  aceitar nossa posição atual. Mas a sabedoria tradicional nos diz: saiba que você é, e que você é como você é.  Pode muito bem ser que sejamos pecadores e, se somos, é importante que saibamos que somos. Mas muito mais importante para nós é saber, pela nossa própria experiência, que Deus é o fundamento do nosso ser… Essa é a estabilidade que todos precisamos, não o esforço e o movimento do desejo, mas a estabilidade e a quietude do enraizamento espiritual. Cada um de nós é convidado a aprender, em nossa meditação, em nossa quietude, que lá temos tudo o que é necessário.

Após a meditação: “Winter Trees” de Paul Zimmer em THE GREAT BIRD OF LOVE (Chicago: University of Illinois Press, 1989), p. 55.

ÁRVORES DE INVERNO

Observar a neve se infiltrar na floresta é

Sentir-se crescendo suavemente em direção à morte.

No entanto, são as árvores que nos ensinam a viver.

Em alguns lugares, uma pessoa pode existir

por muitos anos sem ver uma árvore.

Esse deve ser o caminho da raiva e do desespero.

Melhor é ter o exemplo constante

de sua paciência e perfeição.

testemunhar seu florescimento e decomposição,

observar a neve se dissolver entre os galhos,

acumulando-se  suavemente nos nós e nas copas.

Melhor, de alguma forma, unir-se a elas e se tornar

Parte da última resistência do mundo.

 

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