Uma jornada dentro de outra jornada
Você está respondendo a um chamado que vem do mais profundo do seu ser, para além do pensamento ou de qualquer explicação.
Prezados amigos, uma carta de Laurence Freeman, Boletim Informativo da WCCM, maio/junho de 2024.
Ao começar a meditar, todos partimos do ponto em que estamos. Após 45 anos de prática, posso afirmar com convicção que ainda sou um iniciante. O meditador está sempre retornando ao seu ponto de partida. Por que começar, afinal? Mesmo que você tenha apenas uma curiosidade superficial sobre a meditação, é um sinal para ser levado a sério. Experimente, dê o primeiro passo. Você não tem nada a perder, exceto suas limitações e seus medos em relação a elas. Pode ser um marco importante na sua jornada de vida. Simplesmente tentar, com a mente e o coração abertos, pode ser uma decisão transformadora. Na verdade, você está se abrindo para algo novo, para uma dimensão de si mesmo que deseja e precisa conhecer melhor. Você está vislumbrando uma nova parte de si.
Iniciar a jornada da meditação é uma jornada dentro de outra jornada – a sempre misteriosa jornada da sua vida. Você está respondendo a um chamado do seu interior, que transcende o pensamento e a explicação. No mínimo, a meditação lhe proporcionará uma nova profundidade e o ajudará a viver a partir dessa profundidade.
Você pode estar pensando: “Todo mundo fala sobre como a meditação é maravilhosa: alguns a veem como oração e parte das tradições religiosas de sabedoria. Outros podem praticá-la apenas por razões de saúde mental ou física, e ela tem o selo de aprovação científica para isso. Então, as tradições de sabedoria espiritual e a ciência moderna concordam que a meditação vale a pena. Vamos ver se é para mim.” John Main expressou isso de outra forma quando disse: “Fomos feitos para meditar. É tão natural para o espírito quanto respirar é para o corpo.”
Seja qual for a sua motivação para começar, ela vai além da curiosidade ou de se sentir perdido ou desesperado. A força interior que nos atrai para a meditação é a fé. Os seres humanos crescem através da fé – ou seja, através dos relacionamentos, da integridade e da autenticidade. A experiência lhe ensinará a diferença entre fé e crença. Na meditação, como em todas as coisas importantes, a experiência é a mestra.
Santa Teresa de Ávila, O Castelo Interior (El Castillo Interior), Primeiras Moradas, Capítulo 1
Imaginei a alma como um castelo, formado por um único diamante ou por um cristal muito transparente… Nesse castelo há muitos aposentos, assim como no Céu há muitas moradas… No centro, no meio de todos eles, está a câmara principal, onde Deus e a alma mantêm sua comunhão mais secreta.
