Ser você mesmo é liberdade de espírito.
O mais importante, como diz John Main, é ser você mesmo. E a meditação, para ele, é o caminho pelo qual podemos ser nós mesmos, aceitar-nos como somos, neste momento. É precisamente assim que acontece a ruptura interior.
E é uma série de rupturas, uma sucessão de momentos de abertura, que constitui aquilo que chamamos de vida espiritual. Não se trata de uma única grande ruptura, nem de uma fuga definitiva de uma prisão. Não é como uma fuga da prisão que acontece uma única vez. Trata-se, antes, de uma série ou sucessão de momentos e experiências interligadas de libertação do aprisionamento no ego desordenado, e somos conduzidos à liberdade do Espírito.
Esta é a característica definidora do verdadeiro eu. Ser você mesmo é liberdade de espírito: a liberdade de aceitar-se realisticamente, sem precisar pedir desculpas por existir; sem sentir que é preciso tornar-se aceitável a Deus ou aceitável às pessoas que desejamos impressionar; e livre de ficar preso aos papéis que desempenhamos, ao jogo de papéis — que, aliás, é exatamente aquilo de que o ego gosta.
(Breakthrough – Laurence Freeman)
