Estamos em peregrinação enquanto repetirmos nosso mantra.
Do livro “Despertar 1”, de John Main OSB , Série de Palestras de Meditação 2014 C – Data de lançamento: 1 de setembro de 2014
A oração é a vida do Espírito de Jesus no coração humano, o Espírito em quem estamos incorporados no Corpo de Cristo, o Espírito que nos leva, a cada um de nós, plenamente despertos para o Pai. Orar é despertar para esse Espírito em toda a sua plenitude em nosso coração.
Não creio que existam formas ou métodos de oração; existe apenas a oração. E gosto de pensar nessa oração como a corrente de amor entre o Espírito de Jesus Ressuscitado e o seu Pai, a corrente de amor na qual estamos inseridos. Da mesma forma, uma vez que você começa a orar, você ora sempre. Não existe oração em tempo parcial ou oração incompleta. O Espírito está sempre vivo em nosso coração, e essa corrente de amor é sempre uma realidade em nosso coração. Nossos momentos de meditação, nossos momentos de oração, são simplesmente momentos em que fazemos essa completa conversão de consciência para a Realidade sempre presente.
Quanto mais você se entrega a isso, mergulhando profundamente nessa corrente de amor, mais você se torna consciente do que São Paulo quis dizer quando nos chamou a orar sem cessar. Esse é o estado que às vezes chamamos de iluminação, quando a consciência da realidade do amor de Jesus por seu Pai é constante em nossos corações. Na medida em que podemos analisar isso, percebemos nossa total pobreza, nossa total dependência do amor sustentador de Deus e nosso enriquecimento infinito nesse amor.
Como tenho falado com vocês sobre uma jornada, sobre uma peregrinação, essa peregrinação nos leva ao nível primordial do nosso próprio ser. Permanecemos nessa peregrinação enquanto repetimos nosso mantra com simplicidade e perseveramos na renúncia, na pobreza, renunciando ao pensamento, à imaginação e, em última instância, à nossa própria autoconsciência. À medida que o mantra se enraíza cada vez mais profundamente em nós e se integra mais plenamente à nossa consciência, todo o nosso ser participa dessa resposta ao Espírito. A jornada nos conduz a uma integração da nossa individualidade, onde cada parte de nós está em amorosa e harmoniosa resposta ao Pai. Nosso objetivo é aceitar plenamente a salvação que Jesus conquistou para nós, a libertação total de tudo o que nos isola, a união total com toda a criação. E o que descobrimos é a nossa própria unidade essencial. Descobrimos também – uma descoberta inebriante – a liberdade absoluta que possuímos para ascender ao Pai.
Agora, não se deixem enganar pela retórica. Não há dúvida alguma sobre a exigência absoluta do mantra. Há um sentido real em que recitar o mantra é um ato de fé tão pura que chega a ser uma imprudência religiosa, pois é, em essência, a nossa aceitação total da realidade do amor de Deus inundando o nosso coração mais íntimo através do Espírito de Jesus Ressuscitado. E nos chama a morrer para o ego. É uma renúncia absoluta, uma entrega total ao amor de Jesus. E é somente essa renúncia absoluta, essa fé absoluta, que nos permite ascender em seu poder, compartilhar seu poder, compartilhar sua autoridade e, acima de tudo, compartilhar seu amor. E quero terminar dizendo da forma mais clara possível que não podemos fabricar ou antecipar essa experiência.
A experiência é uma dádiva de Deus. Tudo o que podemos fazer é aprender a aquietar-nos, a silenciar e a esperar. E à medida que aprendemos essa quietude e esse silêncio, e à medida que aprendemos a esperar, faremos isso com uma crescente consciência do nosso próprio potencial e da nossa própria harmonia. Devemos ser pacientes e devemos esperar. No tempo de Deus experimentaremos a inundação do nosso coração com o amor de Jesus e estaremos prontos para responder a esse chamado quando ele vier, um chamado que nos pede para respondermos com a plenitude da nossa própria humanidade neste encontro com Jesus. Cada membro da Igreja é chamado a este despertar; cada membro da raça humana é chamado a este despertar. Nossa grande responsabilidade é despertar a nós mesmos, estar prontos, estar à disposição do Pai e, então, com humildade e amor, levar a glória, a iluminação desse despertar a toda a humanidade.
Uma aranha paciente e silenciosa, de Walt Whitman
Uma aranha silenciosa e paciente,
Observei onde, num pequeno promontório, ela se encontrava isolada,
Observei como explorar a vasta extensão vazia ao redor,
Ela lançava filamento após filamento,
Desenrolando-os incansavelmente, acelerando-os constantemente.
E tu, ó minha alma, onde quer que estejas,
Rodeada, isolada, em oceanos imensuráveis de espaço, meditando incessantemente, Aventurando-te, lançando, buscando as esferas que as conectarão,
Até que a ponte de que precisarás seja formada, até que a âncora flexível se fixe,
Até que o fio diáfano que lanças se prenda em algum lugar, ó minha alma.
