‘Concentre-se no Reino de Deus’

Não podemos descrever nem Deus nem o que vivenciamos.

Por Kim Nataraja

Temos refletido sobre a importância de nos concentrarmos em nosso verdadeiro eu, na centelha do Divino dentro de nós e na importância do arrependimento, da humildade e da purificação de nossas emoções egocêntricas:

“Volte para dentro de si e observe: se você ainda não se vê como belo, então faça como o escultor faz com uma estátua que deseja embelezar; ele talha uma parte e nivela outra, torna um ponto liso e outro claro, até que revele um belo rosto na estátua. Como ele, remova o supérfluo, endireite o torto, limpe o que é escuro e ilumine, e nunca pare de esculpir sua própria estátua, até que o esplendor divino da virtude resplandeça em você… Abra os olhos e veja. (Plotino, Enéadas I 6,9,7-24)”

Mas o que vemos? Quem ou o que é o Divino? Clemente de Alexandria, um dos primeiros Padres da Igreja, disse: “A noção de puro ser é o mais próximo que se pode chegar de Deus… Ele é inefável, além de toda palavra, além de todo conceito, além de todo pensamento.”

Não podemos descrever nem Deus nem o que experimentamos. Tentamos dar sentido, com nossa consciência racional, a algo que nossa consciência intuitiva percebeu, e isso é realmente impossível. Bede Griffiths disse: “Parece-me que, em última análise, temos que ir além de todas as formas de pensamento – até mesmo além da Trindade, da Encarnação… Tudo isso pertence ao mundo dos sinais – manifestações de Deus no pensamento humano – mas o próprio Deus, a própria Verdade, está além de todas as formas de pensamento.”

O importante é deslocar nosso centro de percepção da superfície para a profundidade. Então experimentamos que: “A presença de Jesus em nós, Seu Espírito Santo, nos chama a tomar plena consciência desse nível do nosso ser. Num piscar de olhos, despertamos para nós mesmos, para o espírito que habita em nós, e daí para a consciência da comunhão com o próprio Deus, da qual somos chamados a participar. E assim, despertamos… para uma comunhão completa de todos os seres no próprio Ser.” (John Main, ‘A Palavra que leva ao Silêncio’)

Então, revelamos a natureza de Deus através do nosso comportamento transformado : “Toda alma é, e se torna, aquilo que contempla” (Plotino) . Tudo o que precisamos fazer é sentar e esperar.

Eu disse à minha alma: aquiete-se e deixe a escuridão te envolver,

que será a escuridão de Deus.

Eu disse à minha alma: aquiete-se e espere sem esperança

pois ter esperança seria ter esperança na coisa errada;

Ainda há fé.

Mas a fé, o amor e a esperança estão todos na espera.

Espere sem pensar, pois você ainda não está pronto para pensar:

Assim, a escuridão se transformará em luz, e a quietude em dança.

(TSEliot – Quatro Quartetos)

 

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