A brisa do humor
Mil Tons de Humor — Laurence Freeman no Medium, 14 de janeiro de 2025
Há mil tons de humor, e quanto mais deles compreendermos, melhor. Pergunto-me se um senso saudável de humor não está sempre ligado à descoberta de algo novo. Nesse caso, ele tem o efeito de reparar um mundo quebrado, restaurar relacionamentos fragmentados e renovar a esperança.
Pode ser uma história que leva a um desfecho engraçado, uma reviravolta ou conexão inesperada e então (assim espera quem conta) à explosão do riso, que é tão involuntária e prazerosa quanto um espirro. O riso libera a tensão, relaxa, restaura a perspectiva, aproxima estranhos e oferece um novo começo. Diz-se que as mulheres se sentem atraídas por homens que as fazem rir. E os homens, eu sei, gostam de mulheres que riem de suas piadas. Há vários matizes de riso apenas nesse aspecto de gênero do humor.
Há também tons mais sombrios. Todos nós gostamos de ver um sujeito pomposo ou um valentão escorregar numa casca de banana. Ele merece, e isso o traz de volta à realidade com uma espécie de justiça rude. Mas cinejornais da Alemanha nazista mostravam vizinhos e transeuntes rindo enquanto uma família judia era arrastada para a rua, humilhada e espancada. Como entender esse tipo de humor? Ou a imitação zombeteira de uma pessoa com deficiência feita por um candidato presidencial durante um discurso público, arrancando risos da multidão?
Pode sempre haver um pequeno traço de crueldade até mesmo nos tons mais leves do humor. Mas, como no riso das crianças diante de histórias engraçadas, ele permanece essencialmente bem-humorado; evita o sadismo e evita atacar alguém repetidamente depois que já caiu, ou implicar com os idosos, os pobres ou os vulneráveis. Há uma linha ao longo do espectro do humor. Cruzá-la é arriscado, seja apenas para testar limites, seja para negar que tal linha de autocontrole exista. Será que realmente não há nada de que não se possa rir? Errar nesse ponto já custou a mais de um comediante sua carreira. A sede do público por stand-up — uma forma contemporânea do bobo da corte que desafia limites — também é curiosa, em outro sentido, quando incentivamos um artista a testar nossos próprios limites.
Não rimos de coisas que conhecemos bem, a menos que uma nova perspectiva sobre elas seja revelada, fazendo-nos ver o familiar sob uma luz diferente. O antigo é recriado, somos felizes por sermos salvos da monotonia e do tédio. O humor pode salvar relacionamentos dessa forma — por exemplo, quando uma discussão ou relação cai num impasse. Nada de novo acontece, e o familiar se torna tóxico, até que uma onda de humor, vinda do lado certo da linha, restaura a conexão e celebra a vida mesmo na dor, no sofrimento e na injustiça. Então, o humor saudável declara uma trégua; a retomada da comunicação ajuda os divididos a se verem sob uma nova luz.
Nosso cenário público polarizado precisa desse tipo de brisa de humor, e não do humor cínico e cruel — “rir daquilo que já deixou de divertir”, como T. S. Eliot associava ao lado sombrio do envelhecimento. Raiva disfarçada de humor.
O riso saudável é medicinal e, de maneira suave, realiza pequenos milagres.
Sobre a Oração — Kahlil Gibran, de O Profeta (Knopf, 1923)
Então a sacerdotisa disse: Fala-nos da Oração.
E ele respondeu, dizendo:
Vós orais na vossa aflição e na vossa necessidade; oxalá possais orar também na plenitude da vossa alegria e nos vossos dias de abundância.
Pois o que é a oração senão a expansão de vós mesmos no éter vivo?
E se vos consola derramar vossa escuridão no espaço, também vos deleita derramar o alvorecer do vosso coração.
E se não podeis deixar de chorar quando vossa alma vos chama à oração, ela deve vos instigar ainda e sempre, mesmo chorando, até que venhais a rir.
Quando orais, elevais-vos para encontrar no ar aqueles que oram naquele mesmo momento, e que, fora da oração, não poderíeis encontrar.
Que vossa visita a esse templo invisível seja, portanto, apenas êxtase e doce comunhão.
Pois, se nele entrardes apenas para pedir, nada recebereis;
E se nele entrardes para vos humilhar, não sereis elevados;
Ou mesmo se nele entrardes para suplicar pelo bem dos outros, não sereis ouvidos.
Basta que entreis no templo invisível.
Não posso ensinar-vos a orar com palavras.
Deus não escuta vossas palavras, a não ser quando Ele próprio as pronuncia através de vossos lábios.
E não posso ensinar-vos a oração dos mares, das florestas e das montanhas.
Mas vós, que nascestes das montanhas, das florestas e dos mares, podeis encontrar a oração deles em vosso coração.
E, se apenas ouvirdes no silêncio da noite, ouvireis que eles dizem em silêncio:
“Nosso Deus, que és o nosso eu alado, é tua vontade em nós que quer.
É teu desejo em nós que deseja.
É teu impulso em nós que transforma nossas noites, que são tuas, em dias que também são teus.
Nada podemos pedir-te, pois conheces nossas necessidades antes mesmo que nasçam em nós:
Tu és nossa necessidade; e, ao nos dares mais de ti, dás-nos tudo.”
