É a ansiedade que Ele nos diz para abandonar.

Um trecho de Laurence Freeman OSB, “Meditação”, JESUS, O MESTRE INTERIOR (Nova York: Continuum, 2000), pp. 212-213.

Quando Ele nos diz para não nos preocuparmos, Jesus não está negando a realidade dos problemas diários. É a ansiedade que ele nos diz para abandonar, não a realidade. Aprender a não se preocupar é um trabalho árduo. […] Apesar de seu “transtorno de déficit de atenção”, até mesmo a mente moderna tem sua capacidade natural de se aquietar e transcender suas fixações. Em profundidade, ela descobre sua própria clareza onde está em paz, livre de ansiedade. A maioria de nós tem meia dúzia ou mais de ansiedades favoritas, como doces amargos que saboreamos incessantemente. Teríamos medo de ser privados delas. Jesus nos desafia a ir além do medo de nos desapegarmos da ansiedade, o medo que temos da própria paz. A prática da meditação é uma forma de aplicar seus ensinamentos sobre a oração; ela prova, por meio da experiência, que a mente humana pode, de fato, escolher não se preocupar. […]

Optar por repetir o mantra fielmente e retornar a ele sempre que distrações surgirem exerce a liberdade que temos de preste atenção. Não se trata de uma escolha como a que fazemos com uma marca específica na prateleira do supermercado. Trata-se da escolha de se comprometer. O caminho do mantra é um ato de fé, não um movimento do poder do ego. Em cada ato de fé, há uma declaração de amor. A fé prepara o terreno para que a semente do mantra germine no amor. Não criamos o milagre da vida e do crescimento sozinhos, mas somos responsáveis por seu desabrochar. Alcançar a paz de espírito e de coração — o silêncio, a quietude e a simplicidade — não exige a vontade de um indivíduo ambicioso e perfeccionista, mas a atenção incondicional, a fidelidade constante de um discípulo.

Após a meditação: “A Declaração: Para Carolyn Kizer e John Woodbridge, Recordando Nossa Celebração do Aniversário de George Herbert, 1983”, de Denise Levertov, em THE STREAM AND THE SAPPHIRE: Selected Poems on Religious Themes (Nova York: New Directions, 1997), p. 6.

Assim como os nadadores ousam

deitar-se de bruços para o céu

e a água os sustenta,

assim como os falcões repousam no ar

e o ar os sustenta,

assim eu aprenderia a alcançar

a queda livre e a flutuar

no profundo abraço do Espírito Criador,

sabendo que nenhum esforço conquista

essa graça que tudo envolve.

 

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