O limiar do silêncio
De John Main OSB, “Tudo o que você precisa fazer é começar”, em WORD MADE FLESH (Norwich: Canterbury, 2009), p. 53.
Ao começar a meditar, você se torna consciente de que está no limiar do silêncio. Este é um momento crítico para a maioria das pessoas, pois elas deixam o mundo familiar dos sons, das ideias, dos pensamentos, das palavras e das imagens. Você não sabe o que o aguarda ao atravessar para o silêncio. Por isso é importante aprender a meditar dentro de uma tradição. Para nós, Jesus é o coração de uma tradição que vê a meditação como estar na presença do amor, o amor que lança fora o medo.
O limiar do silêncio é um momento decisivo porque, se você retorna aos seus pensamentos e imagens — talvez até às suas orações habituais —, você se afasta da porta do silêncio, que se abre para a oração pura do amor. Aprender a voltar humildemente ao seu mantra é o primeiro passo para a experiência do silêncio como presença de amor. Eu poderia usar muitas palavras para descrever o silêncio eterno de Deus que habita no mais íntimo do nosso ser, o silêncio da criação pura. Poderia dizer quão importante é esse silêncio, porque nele você escuta o seu próprio nome pronunciado clara e inconfundivelmente pela primeira vez. Você passa a saber quem você é. No entanto, todas essas palavras falhariam em transmitir a própria experiência: uma liberdade sem autoconsciência na presença criadora de Deus.
Margaret Gibson, um excerto de “Affirmations”, em EARTH ELEGY (Baton Rouge: LSU Press, 1997), p. 154.
AFIRMAÇÕES
ver sem olhar, ouvir sem
escutar, respirar sem pedir
W. H. Auden
III
A palavra morte
vive profundamente nas vinhas estranhamente ramificadas dos pulmões.
É um instrumento de sopro sem válvulas, um lamento
baixo que você ignora por causa da conversa, ou o olho da coruja,
amarelo do céu ao entardecer, ou o estalo firme da lenha
rachada para o fogo distraem e o reivindicam.
Estou aprendendo a respirar
sem pedir que o fôlego me leve a qualquer lugar
senão aqui, para o ínfimo segundo de impulso antes que o vento
atinja a palavra, para o momento em que eu sou o que sou
sem saber disso.
