Terceiro Domingo do Advento
Tiago, o “irmão do Senhor” e líder da primeira comunidade cristã em Jerusalém, sempre me impressiona por parecer diretamente conectado às palavras e ao ensinamento de Jesus. Ele não fala muito sobre o Cristo Cósmico, mas de algum modo nos aproxima dele por meio de sua sabedoria prática. Com um pouco de orientação de marketing, poderia ter escrito um best-seller. Na leitura de hoje, ele soa como um avô ou uma avó cujos conselhos nos influenciam mais do que se viessem de nossos pais:
“Vede como o agricultor espera o precioso fruto da terra, com paciência, até receber as chuvas do outono e da primavera. Sede também pacientes. Fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima. Não murmureis uns contra os outros, irmãos e irmãs, para não serdes julgados…”
Não somos educados para compreender a paciência. Tudo — desde a condenação dos políticos pela mídia até a exigência de entregas no mesmo dia — revela uma impaciência endêmica e como ela produz raiva e ansiedade. Há algumas coisas, como o crescimento das plantas ou o desenvolvimento do embrião humano, que possuem a autoridade paciente da própria natureza ao nos ensinar a esperar — esperar com expectativa, sem desejo — algo que podemos aprender ao dizer o mantra. Tiago identifica os sintomas da impaciência como a murmuração constante, o espírito julgador e a negatividade em relação aos outros, que negam o tempo e a delicadeza necessários ao processo de amadurecimento e cura.
Eles perguntam a Jesus: “Dize-nos, és tu aquele que estamos todos esperando ou não?” É uma pergunta impaciente. Sua resposta mostra como ele sofre com a impaciência pacientemente. Paciência significa atravessar o sofrimento, suportar, permanecer, esperar com serenidade. Ele lhes mostra o único caminho: encontrar a resposta dentro de si mesmos, em vez de receber uma resposta pronta, do tipo “checklist”, que apenas os satisfaria por um momento. Aqueles que aprendem a paciência permanecem, depois que os impacientes já se cansaram e foram embora, muitas vezes voltando-se contra si mesmos e contra os outros com um cruel e autocrítico sentimento de fracasso.
Ele nos diz para reservar tempo para ler. A leitura é um bom exercício de paciência, pois viramos as páginas no nosso próprio ritmo — ou, como às vezes parece, no ritmo em que elas se viram sozinhas. O melhor exercício é o silêncio interior. A paciência muitas vezes pode ser medida pelo silêncio. Ele diz: leiam os sinais dos tempos — compreendam o que estou fazendo ao curar os doentes e devolver a vida aos que estão morrendo. Em vez de manter o foco em si mesmo, como fazem impacientemente aqueles que o interrogam, ele então desvia o olhar de si para João Batista.
Talvez, como outros profetas antes e depois dele, João Batista não tenha conseguido lidar com a impaciência e a ganância de seu tempo. Ele tomou o caminho pelo qual poderia melhor ajudar a si mesmo e aos outros contra a doença da impaciência e da intolerância. Ela se espalha rapidamente em espaços confinados. E o caminho, então, é retirar-se para o vasto espaço interior, onde o tempo é gradualmente dilatado até desaparecer na eternidade. O contemplativo retorna à paciência do deserto para compreender a paciência e não condenar aqueles que não a têm.
