Domingo de Páscoa

Ele lhes disse de novo: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também Eu vos envio”.
Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse:
“Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhe-ão retidos”.
(João 20:21-23)

 

O Domingo de Páscoa é o dia mais longo de todos. Tendo acontecido uma vez no tempo, tornou-se todos os dias.

Ele brota das profundezas atávicas da criação, onde o amor de Jesus penetra enquanto ele “desce ao inferno”. Rompe a superfície do mundo visível e continua a expandir-se para trás e para a frente no tempo. A tradução do inglês arcaico diz que ele ‘harrows hell’ que se traduz como pilhagem ou saque, e que é o que os vencedores frequentemente fazem, de formas violentas e vingativas.

Mas este saque é uma obra cósmica de libertação universal, uma reconciliação total que liberta todas as criaturas da sua escravidão à decadência e à morte. A entropia encontrou o seu contraponto na energia criativa ilimitada da Palavra de Deus que trouxe todas as coisas à existência. O karma encontrou uma lei superior – não só sofrer as consequências de ações e pensamentos –, mas ser abraçado pela lei transcendente do amor. Reina o perdão, não a competição pelo poder. Somos expostos ao fato de que temos o maior dos poderes: o de perdoar.

A Ressurreição começou na Sexta-feira Santa, quando Jesus exalou o seu último suspiro e se entregou irrevogavelmente ao Pai, seu Pai e nosso Pai, como ele nos lembra. A sequência de eventos que somos obrigados a imaginar para explicar este único olhar abrangente de compaixão divina não deve nos aprisionar na ideia de que algo que acontece “na eternidade” tem um começo ou um fim. A Páscoa existe na Criação original.

Respiramos a Páscoa hoje com a paz que Jesus nos soprou, mesmo quando nos escondemos atrás das portas trancadas do medo e da vergonha. É a presença constante de Deus, agora presente em toda a dimensão espaço-temporal da realidade humana. Tudo foi transformado, ontem, hoje e amanhã.

A tragédia da Cruz, que envergonha a humanidade, foi transformada. O triste, vazio e desolado Sábado Santo foi tocado pela mesma redenção do tempo. A iluminação da Ressurreição não é como um relâmpago passageiro. É o processo e o objetivo de toda a consciência, começando com nosso primeiro suspiro e, no momento certo, nos conduzindo à eternidade. É a luz em nós. Precisamos apenas despertar e confiar nela.

Obrigado por nos acompanharem nesta longa jornada da Quaresma. Hoje, podemos compreender melhor o seu significado. E que, como Maria Madalena, que primeiro reconheceu Jesus ressuscitado porque ele a reconheceu, possamos experimentar e desfrutar do reconhecimento mútuo do amor. É um amor tão abrangente que não precisamos mais nos agarrar a ele, nem a nada. Fomos transformados e libertados. Corramos e sirvamos à plenitude da nova criação que começou.


Imagem: Árvore da Páscoa, Bonnevaux (foto de Laurence Freeman)

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