Um grande ato de fé

Um trecho de “Queridos Amigos”, Laurence Freeman OSB, no Boletim da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, Vol. 32, Nº 3, setembro de 2008, p. 4.

Ver a realidade como ela é, ou pelo menos libertar-se progressivamente de alguns dos filtros, é um grande ato de fé. O apego às crenças e rituais da nossa tradição, no entanto, pode tornar-se uma segurança falsa e falsificadora. E assim, muitas pessoas profundamente religiosas sentem aversão ou antipatia à meditação porque ela parece minar (e de fato mina) os limites seguros que protegem nossa visão de mundo e nosso censo de ser superiormente diferente dos outros.

Um caminho de fé, no entanto, não é uma adesão obstinada a um ponto de vista e aos sistemas de crenças e tradições rituais que o expressam. Isso a tornaria apenas ideologia ou sectarismo, não fé. A fé é uma jornada transformadora, que exige que nos movamos para dentro, através e além de nossas estruturas de crença e observâncias externas — sem traí-las ou rejeitá-las, mas também sem nos deixarmos aprisionar por suas formas de expressão. São Paulo falou do caminho da salvação, como começando e terminando na fé. A fé é, portanto, uma abertura, desde o início da jornada humana. Naturalmente, precisamos de uma estrutura, um sistema e uma tradição. [Mas] se estivermos firmemente centrados neles, em vez de sermos confinados e definidos por eles, o Espírito se desdobra continuamente em nós. Nossa compreensão da verdade se amplia continuamente, nossa apreensão da realidade se acelera.

Após Meditação, “Quem Disse Isto?” por Mary Oliver em RED BIRD (Boston: Beacon, 2008), p. 58.

Algo sussurrou algo

que nem era uma palavra.

Era mais como um silêncio

que era compreensível.

Eu estava parado

na beira do lago.

Nada vivo, o que chamamos de vivo,

estava à vista.

E, no entanto, a voz entrou em mim,

no meu corpo-vida,

com tanta felicidade.

E não havia nada lá

além da água, do céu, da grama.

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