Grupos de meditação: comunidades de fé
Por Paulo Harris
Foi dito, que em cada era Deus levanta profetas e mestres para garantir a continuidade de Sua obra. John Main é certamente considerado um desses grandes mestres espirituais do século XX. Mas ele também foi, em certo sentido, um profeta. John Main tinha uma profunda intuição e uma visão profética de que seus ensinamentos sobre o silêncio e a quietude na oração seriam transmitidos principalmente em pequenos grupos. Sua esperança era que esses ensinamentos e práticas fossem compartilhados de forma orgânica por meio de grupos de apoio, de homens e mulheres que se reunissem semanalmente em lares, igrejas, escolas e locais de trabalho. Ele tinha um profundo conhecimento da antiga tradição dos cristãos se reunirem para orar.
Laurence Freeman destacou: “John Main via esse desenvolvimento moderno da contemplação como originário das comunidades de fé e da liturgia no cerne da Igreja primitiva. Esses primeiros cristãos também se reuniam em pequenos grupos nas casas uns dos outros. Essa união em oração formava a “koinonia”, ou a interação social e a comunhão, que eram a marca que distinguia e o poder da Igreja primitiva. Esses pequenos grupos se reuniam para orar e oferecer apoio e encorajamento uns aos outros em sua fé comum.”
Não há dúvida de que o ensino da espiritualidade está historicamente enraizado na tradição do pequeno grupo. Os israelitas eram divididos em pequenas tribos e unidades familiares próximas, particularmente durante sua permanência no deserto. Jesus escolheu um pequeno grupo de doze para formar o coração de seu ministério. Ao longo dos últimos 2.000 anos, pequenos grupos de homens e mulheres se uniram na vida monástica para viver em comunidade e apoiar uns aos outros na jornada espiritual. Parece natural que pessoas que rezam contemplativamente no século XXI também se reúnam em grupos para apoiar uns aos outros em sua peregrinação comum.
Pequenos grupos de meditação cristã têm uma grande vantagem na adaptação ao seu ambiente. Eles praticamente não exigem recursos, além do tempo que seus membros dedicam ao grupo, semanalmente. O pequeno grupo proporciona um senso de comunidade para pessoas que sentem a perda e o rompimento com a vizinhança e com os laços familiares.
A necessidade de incentivo, apoio e compartilhamento são motivos adicionais para ingressar em um grupo. Todos nós precisamos da afirmação dos outros e, assim, nossa fé pode ser fortalecida pelos laços de amor, cuidado e amizade que se desenvolvem no pequeno grupo. Valores espirituais e humanos básicos são compartilhados em um ambiente de grupo e, consequentemente, amizades se desenvolvem.
Este é o principal motivo para nos reunirmos uma vez por semana. É como se os meditadores, instintivamente percebessem que esta é uma jornada difícil de ser feita sozinhos; é uma jornada que se torna muito mais fácil se a fizermos acompanhados. É verdade que ninguém pode meditar por nós, que meditamos sozinhos em nosso dia a dia, mas, ao mesmo tempo, percebemos que precisamos do apoio de outras pessoas para perseverarmos nesta jornada.
